22 de Setembro de 2019
XXV Domingo do Tempo Comum
Ano C
Astúcia agradável a Deus não é a desonestidade para enriquecer-se, mas saber transformar os bens em relações, no caminho da partilha.
Ouvimos hoje uma parábola desconcertante, com este patrão que elogia o seu administrador apesar de sua desonestidade. Na verdade, não é a desonestidade que é elogiada, mas a astúcia. Esta se manifesta aqui, sobretudo, sob um aspecto: fazer amigos para si com a riqueza desonesta. No fundo, este administrador astuto é uma figura invertida em comparação com um outro personagem lucano: o rico estúpido (cf. Lc 12, 16-21). Esse último baseia a sua vida sobre aquilo que possui, até fechar-se em uma solidão sem relações, que o conduz a morte. O administrador astuto, dividindo com os pobres, transforma os bens em relações, que o acolherão nas moradas eternas. Claro, permanece o problema da desonestidade. Jesus nos pede para sermos fiéis e Amós condena o enriquecimento de modo fraudulento em prejuizo dos pobres. Contudo, permanece verdade que o modo com o qual Deus quer que sejamos fiéis aos seus bens não consiste em restituí-los a Ele integros ou multiplicados, mas que os partilhemos com aqueles que têm necessidade. Esta é a astúcia de viver: não uma esperteza segundo a lógica humana, mas a inteligência criativa de quem, tendo uma intuição profunda do mistério de Deus, configura a si mesmo com a sua Vontade. “Ele quer que todos os homens sejam salvos”, recorda São Paulo a Timóteo. O discípulo de Jesus tem o mesmo desejo: que todos gozem da riqueza do Reino. Astúcia consiste em não dilapidá-la nem apropriar-se dele, mas anunciá-la e partilhá-la.
Comentário da Comunità di Dumenza
Tradução do f. Paulo Domiciano, Curia Generalizia