8 de Dezembro de 2019
II Domingo do Advento
Ano A
No deserto, Deus abre caminhos de esperança; mesmo nos troncos secos, floresce vida nova. Entre o lobo e o cordeiro existe paz. Venha o teu reino!
“Tudo o que outrora foi escrito, foi escrito para nossa instrução, para que, pela nossa constância e pelo conforto espiritual das Escrituras, tenhamos firme esperança”, assim escreve São Paulo aos Romanos. Isso significa que mesmo o trecho de Mateus, apesar de suas ásperas imagens – o deserto e a ascese do Batista – ou suas palavras severas – “Raça de víboras…” – é para a nossa esperança. João chama à conversão, mas a primeira conversão a ser vivida é precisamente a da esperança. Às vezes na nossa vida nos encontramos caminhando no deserto, mas também aí Deus suscita alguém que, como João, volta a gritar esperança: Voz dequele que grita no deserto: Preparai o caminho do Senhor. No deserto também é possível preparar um caminho para o Senhor que vem; um caminho para a esperança que Ele volta a acender em nós. E essa esperança assume, de modo particular, o rosto da paz e da comunhão. Isaías nos lembra isso com suas imagens, que evocam a reconciliação entre adversários irredutíveis, como o lobo e o cordeiro. Por sua vez, Paulo nos estimula a ter os mesmos sentimentos uns para com os outros, acolhendo-nos como Cristo nos acolheu. O caminho para o Senhor é preparado aplainando os caminhos para os encontros verdadeiros, para as relações fecundas, que fazem nascer novos rebentos de paz e de justiça, mesmo em troncos aparentemente secos.
Comentário da Comunità di Dumenza
Tradução do f. Paulo Domiciano, Curia Generalizia